Listas; Os Discos de 2011



Listas; Os Discos de 2011

Ouvir um disco inteiro hoje em dia é um desafio. Não porque a qualidade decaiu, que é o que muita gente pensa, mas pela quantidade de lançamentos acessíveis. Antes, vários discos permaneciam na obscuridade, hoje, todo mundo indica alguém que indica alguém... E no final, ficamos perdidos com o que ouvir... Mesmo eu, que me considero um antenado com relação ao assunto, me pego com dificuldade de ouvir com atenção á tudo que sai. Fazer uma lista então se torna uma tarefa cruel. Ano passado, por exemplo, coloquei o "High Violet" do National em nono e depois tive de rever a minha posição, simplesmente porque tive tempo de me dedicar a ele... No final das contas, damos um tiro no momento. Esses são os discos de 2011 'hoje'. Amanhã, posso ter tido tempo de ouvir mais alguma coisa, e por aí vai. Por isso que, lá pra junho, julho, faço uma revisão...

Esse ano foi sensacional. Muitos rabugentos de plantão acham que não há nada de interessante, que tudo é igual á algo que já existe e blá, blá, blá... comparo esse ano com o de 1995, último grande ano no Pop alternativo, com discaçõs de Radiohead, PJ Harvey e Teenage Fanclub. Ou ainda 2001, com a estréia dos Strokes. Até cantores do Pop R&B lançaram bons álbums. Megastars como Lady Gaga conseguem aliar o consumível com direcionamento artístico. Lógico que no meio de tudo tem muita bobagem, principalmente aqui no Brasil, mas a safra no geral é sensacional.

Bom, vamos cortar a enrolação e ir pra lista...



10. "Bon Iver"
Bon Iver


Autor de um clássico do Pop Moderno (á saber, "For Emma (Forever Ago)"), em 2008, nesse segundo disco, Justin Vernon, mentor e único membro fixo, adicionou teclados etéreos ao Folk tradicional que permeou seu disco de estréia. Doce, delicado. Ás vezes, lembrando um Peter Gabriel menos afetado, e ás vezes, um Neil Young experimental, o disco é calmo como o vento. Ótimo pra se ouvir quando a chuva cai lá fora e tudo que se quer é se desconectar de tudo.

Definição rápida /// Peter Gabriel + Neil Young + Radiohead + Zero glamour. 

Preferida do disco /// "Calgary"

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9. "Metals" 
Feist


Lançado recentemente, o novo trabalho de Leslie Feist é mais acústico e doce que os anteriores, que ela chegou a flertar com alguns elementos mais 'lounge'. Parece que o Alt-country está dominando o mundo! Ótimo para final de tarde com o filho no colo ;-)
Definição rápida /// Joni Mitchell + Beth Gibbons + Love
Preferida do disco /// "Cicadas & Gulls"


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8. "El Camino"
Black Keys


Esse entrou aos quarenta e cinco do segundo tempo. Lançado á poucas semanas, o novo dos Black Keys é mais um na grande coleção de discos dos caras. Mesmo produzido pelo incessado Danger Mouse, ele é menos pop que o anterior, "Brothers", do ano passado, é verdade, mas que melhora a cada ouvida. Nem preciso dizer que "Lonely Boy", o primeiro single, está em altíssima rotação por aqui. Outro que deve crescer nos próximos meses...
Definição rápida /// Clash + Cramps + 'Na sua cara'
Preferida do disco /// "Lonely Boy"

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7. "Strange Mercy"
St. Vincent


A doce e frágil Anne Clark é, pra mim, a grande descoberta do ano. "Strange Mercy" é seu terceiro disco, e pra mim, de longe o melhor. Estranhíssimo, como Björk e Bat For Lashes, denso como "To Bring You My Love", de PJ Harvey, ela é da turma do National, Sufjan Stevens e Bon Iver. O álbum é praticamente irrotulável. "Cruel", o carro chefe, é o Pop mais estranho que você ouvir em tempos. E assim, entre batidas, guitarras e estranhezas, ela vai galgando um lugar no meu coração. Tem tudo pra crescer ainda mais durante o próximo ano...
Definição rápida /// Björk + PJ Harvey + Talking Heads + Doçura infantil.
Preferida do disco /// "Cruel"

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6. "Suck It And See" Arctic Monkeys


Depois de algumas aulas com Josh Homme (do Queens Of The Stone Age) no álbum anterior, "Humbug", Alex Turner e cia. aprenderam a equilibrar peso e melodia, mantendo as influências de The Who, The Jam e Strokes. "Pilerdriver Waltz", também gravada levemente diferente para a trilha do filme "Submarine", feita solo por Turner é linda. "Bryck By Bryck" é um petardo divertidíssimo. Todas as canções fluem até desembocarem em "That's Where You're Wrong" e suas linhas que lembram o melhor dos Smiths. BRAVO!

Definição rápida /// Queens Of The Stone Age + The Smiths + Pancada Suave.
Preferida do disco /// "Bryck By Bryck"

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5. "A Different Kind of Fix" 
Bombay Bicycle Club


O Bombay Bicycle Club são os queridinhos Indie do momento. Ruins de palco, a banda é ótima em estúdio, principalmente, porque varia sua sonoridade de disco para disco. Se nos dois primeiros, eles caminharam pelo Rock independente tradicional ("I Had The Blues But I Shook Them Loose", de 2009) e o acústico ("Flaws", do ano passado), nesse eles apostaram em algo mais dançante, com o uso de samples, mas nada de bate estaca. É como se o Belle & Sebastian fizessem um disco de Dance Music. Fofo e singelo.
Definição rápida /// Belle & Sebastian + Dance Music 80's.
Preferida do disco /// "Shuffle"
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4. "The King Of Limbs"
Radiohead


Esse disco fez todos os fãs torcerem um pouco o nariz pela sua dificuldade, comparável a "Kid A" e "Amnesiac", trabalhos experimentais que mudaram o direcionamento da banda no início dos anos 2000. Se em "In Rainbows" o lado experimental e cabeçudo de Thom Yorke era balançeado pela banda, nesse, parece as vezes que os demais integrantes são totalmente coadjuvantes as loucuras do seu vocalista; Jazzístico e eletrônico, "The King Of Limbs" é sim um discaço, que mexe com a sua opinião. Muitos o largam depois de duas audições e perdem a delicadeza de "Give Up The Ghost" ou o transe de "Separator". Eles continuam em outro planeta. Obrigado!
Definição rápida /// Miles Davis + Tricky + Aphex Twin.
Preferida do disco /// "Lotus Flower"
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3. "What Did You Expect From The Vaccines?"
The Vaccines


Pra muitos, o disco que marcaria o ano '1' da década (á saber, todos os primeiros anos das décadas anteriores trouxeram o disco mais representativo dos próximos dez anos, como "Nevermind", em 91 e "Is This It?", em 01), causa grande impacto numa primeira audição; É energético e 'pra cima' sem ser apelativo. É também caucado em tudo que já veio antes. Até demais, em alguns pontos. Mas a conexão e a qualidade das músicas superam qualquer desconfiança. Como odiar um disco que tem "If You Wanna" e "Post Break-Up Sex"? Se eu fosse uns quinze anos mais novo, com certeza, estaria no topo. Se você anda precisando se sentir mais jovem, aqui está.
Definição rápida /// Strokes + The Jam + Molecada.
Preferida do disco /// "If You Wanna"

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2. "Ceremonials"
Florence + The Machine


"Ceremonials", segundo disco deles é apoteótico. Ame ou odeie, está elevando Florence Welsh ao patamar de 'big thing'. Um caldeirão que mistura Kate Bush com Arcade Fire, as melodias de levantar multidões soam praticamente como canções gospel. Até as apresentações ao vivo, com corais e harpas, lembram uma igreja. Nada menos Rock'N'Roll, concordo. Mas alguém tem que ocupar esse lugar e ela, junto com o Arcade Fire e o Coldplay (de um jeito bem mais Pop), se candidataram. Está em boas mãos...
Definição rápida /// Kate Bush + Missa ao ar livre + Arcade Fire. 

Preferida do disco /// "No Light, No Light"

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1. "Let England Shake"
PJ Harvey


Se existe alguém inquieto no mundo da música, esse alguém é Polly Jean Harvey. Ninguém nunca sabe o que esperar de um disco dela á não ser que a qualidade nunca é menor que ótima. Depois do etéreo "White Chalk", ela juntou várias referências de sua carreira para fazer um disco temático e conceitual; Harvey iria falar sobre a guerra, em todos os seus aspectos. Continuou usando instrumentos barrocos, como no álbum anterior, mas trouxe de volta um espírito raivoso que havia se perdido desde "Uh Huh Her", seu último disco de 'guitarra', há sete anos atrás. Trouxe de volta também as referências ao Blues e ao Rock de raiz tão marcantes nos seus primeiros trabalhos nos anos noventa. Alguém disse que este disco está para a música o que "Apocalypse Now" fez para os filmes. Definitivo. Um clássico.
Definição rápida /// Trovadora solitária + Canções de guerra + Eddie Cochran. 

Preferida do disco /// "The Words That Maketh Murder"

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/// Menções honrosas e decepções ///


O ano foi tão rico que foi difícil deixar alguns álbums de fora; "Helplessness Blues", dos Fleet Foxes foi aclamadíssimo pela crítica e é lindo; O novo do Beirut, "The Rip Tide" é fenomenal, mas ainda não consegui aborvê-lo o suficiente para as dez mais. "Biophilia" o disco feito com aplicativos de IPAD da Björk é táo bom quanto seus clássicos dos anos 90. "Collapse Into Now", a despedida do R.E.M. e "High Flying Birds", a estréia solo de Noel Gallagher não fizeram feio. Além do soturno álbum homônimo do Cat's Eyes, que mistura gótico com indie rock. Os novos trabalhos do Drums, Horrors, Wilco e Decemberists merecem menção honrosa.

No campo das decepções, dois nomes aparecem fortes; Coldplay e seu pastiche R&;B eletrônico "Mylo Xyloto" e os Strokes, com "Angles". Talvez os lançamentos mais esperados do ano por muitos. Já são passado.

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