Eu Estava Lá... Echo & The Bunnymen (Credicard Hall, 11/10/2010)


Eu Estava Lá... Echo & The Bunnymen (Credicard Hall, 11/10/2010)

Há uns treze anos atrás, conheci um cara chamado Rob Flemming. Esse cara é um quase quarentão inglês, mau humorado e profundo conhecedor da música pop. Não é um nostálgico, veja bem; Conhece Belle & Sebastian, Beta Band, etc, mas vive com um gosto amargo na boca, já que as letras que marcaram a sua vida já tem quase a mesma idade que ele. Esse cara, depois de muitos anos de admiração 'in loco' de tudo que ele pudesse; Trem para ver bandas em outras cidades era algo corriqueiro, hoje, com dores nas costas e tendência para o conforto doméstico, ele quer mais é parar o carro no estacionamento, pedir uma cerveja e assistir, sem nenhum tipo de empurrão, sua banda favorita á poucos metros de distância.

Esse cara não existiu 'realmente'. Ele é o personagem principal de "Alta Fidelidade", romance do inglês Nick Hornby, publicado em 2001. Virou filme e tudo mais.

Ontem, em São Paulo, enquanto milhares de pessoas se engalfinhavam em uma fazenda em Itu, sob chuva e frio, para assistirem um punhado de bandas fantásticas, o 'ser' descrito acima era visto aos montes no Credicard Hall, casa almofadinha na beira de um rio fétido em São Paulo. Quarentões e quarentonas, todos com seus sensos 'fashion' meio ultrapassados, empunhando suas cervejas enquanto assistiam uma grande e decadente banda de rock 'n' roll; O Echo & The Bunnymen. Ou pelo menos a metade 'importante' dela, Ian McCulloch e Will Sargent. Alí no palco, estávamos claramente sendo representados. Quando éramos grandes. Decadentes?

Sinceramente? Não...

Apesar de acompanhar tudo que sai na música gringa, coisa que é quase humanamente impossível hoje em dia com a internet, que facilitou o acesso mas multiplicou as possibilidades e opções, eu ainda admiro os 'sobreviventes'. E o Echo é um dos mais dignos por aí.

E só uma olhada rápida no show do Kings of Leon no SWU domingo (pela TV, claro) comprova; Grandes são difíceis de acontecer hoje em dia. E os 'Homens-Coelho' foram uma delas.

Esse show é parte da tour que celebra o álbum "Ocean Rain", de 1984. Na primeira parte, o disco é tocado na íntegra, acompanhado de um sexteto de cordas. Pra quem não sabe, esse foi o disco da virada na carreira da banda; Inicialmente, calcada em Velvet Underground e Doors, em "Ocean Rain" a banda evoluiu, cresceu. Chegou á ser colocada como "Next Big Thing" inglês. Quem ama Arcade Fire hoje em dia (como eu) deveria ouvir esse disco primeiro...

A banda entra, sem glamour; Estamos ali presenciando 'iguais'. nossos pares. "Silver", "Nocturmal Me", "My Kingdom", "Crystal Days", "Thorn of Crown", "Seven Seas", "The Yo Yo Man" e, em especial, "Ocean Rain" e "The Killing Moon", clássicos inesquecíveis do repertório da banda. A iniciativa é muito praticada por bandas de metal ou de rock progressivo, ou seja, dinossauros extintos á milênios e muito chacoteados pela geração descrita nesse texto quando eram jovens. Eu incluso. Mas o clima é outro. Não assisti ao show 'lembrando' dos dias passados. Assisti á um bom show, da época que a música tinha cara, coração, ego e pouco marketing. Músicas inesquecíveis juntas, em um álbum que era dificílimo de ser encontrado, em épocas de 'juntar dinheiro pra comprar disco'...

Ao final desse set, a banda sai por quinze minutos e nos deixa com Elvis, Aretha e Lou Reed. Pausa para o barzinho e o banheiro? Genial!!! Lembre-se; Somos velhos! Acordamos no meio da noite pra liberar a bexiga, quanto mais no meio de um show de rock. Ri sozinho, no banheiro, pensando nos tempos que xixi no meio no show, só se fosse nas calças ou desistindo da 'posição' privilegiada nas grades de algum estádio...

Na segunda parte do show, vem o set natural da banda, com os pseudo hits dos anos oitenta ("Rescue", "Villier's Terrance", "Bring On The Dancing Horses", "All That Jazz", "The Cutter", "The Back Of Love", "The Disease"... Olhem isso, quantas músicas sensacionais!) juntamente com outros pseudo hits, nos anos noventa e dois mil ("I Think I Need It Too", "Zimbo" e, em especial, "Nothing Lasts Forever", com citações de "Walk On The Wild Side" de Lou Reed).

No encerramento, com "Lips Like Sugar", penso no quão perfeito a noite foi; Não peguei transito, nem fila, nem aperto... Tomei cerveja, assisti á um show de rock and roll com coração, feito por homens como eu, que vou cantar a semana inteira. Vou sair, pegar meu carro no estacionamento e dirigir pra algum bar e fechar a noite conversando sobre tudo isso com a pessoa que eu amo.

Ahhh, a felicidade da experiência e da falta de rebeldia... rss.


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