Eu Vi... "A Origem", de Christopher Nolan




Eu Vi... "A Origem", de Christopher Nolan (2010)


Assistir "A Origem", novo "petardo" de Christopher Nolan foi a prova de que a arte ainda pode fazer sentido no mundo pop; Isso mesmo, ARTE, com letras maiúsculas.

Li várias resenhas antes de ir ao cinema nesse final de semana (sala lotada, por sinal...) e na maioria, o pau comeu... Muita gente não entendendo lhufas de nada, criticando a complexidade da história. Seus "excessos". Li em algum lugar que esse filme era a representação do rock progressivo dos anos 70... Camadas, climas e catarses prolongadas... Não deixa de estar certo.

Mas, na contramão desse comentário, acho que ser tratado como um ser pensante comendo pipoca não faz mal a ninguém. É cinemão sim. Grandiloqüente, envolvelte e barulhento... Mas também é sentimental, inteligente e esteticamente perfeito. É como seria se comendo junk food você pudesse ter um corpo perfeito. Giló com sabor de chocolate. Ou vice-versa, se você não gosta da mítica do cinema. Não gosta de assistir (ou ouvir, como escrevi no meu post sobre o Arcade Fire) com todo foco do mundo. E acredite; A sua atenção nunca vai ser tão testada como aqui.

Comparações? Sim... Hitchcock, "Matrix", "Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças"... "Operação França", porque não? Até a sequencia inicial de "Dark Knight" (do roubo ao banco) é emprestada aqui. Mas, na minha opinião, são sub-referências. O maior homenageado aqui é o cinema. E também, ao próprio cinema feito por Nolan. Como em "O Grande Truque", a mágica do cinema é igual aquela que vemos numa ilusão feita com cartas; Precisamos nos entregar para nos envolvermos.

A história é complexa mas tão bem narrada que em nenhum momento eu me perdi assistindo. Vi um texto criticando esse lado da trama, mas em nenhum momento em senti perdido. Á saber, o que causa esse debate é o fato de toda a trama se passar dentro do sonho. E em cada sonho, consegue-se sonhar novamente, chegando em quatro níveis de sonho. E em cada um desses sonhos, o tempo passa mais devagar. Tipo, um segundo na vida real equivale a três minutos no primeiro sonho, e assim por diante. No limbo, o último nível, chega-se á anos... Uma ideia complexa para que está mais preocupado em comer pipoca...

Mas mesmo assim, muitas pessoas largam a pipoca e começam a entrar na trama. Na segunda parte, um clímax de uma hora, as bocas já ficam abertas. É a mesma sensação de andar de montanha russa... E essa aqui, é na sua mente.

Buracos na trama? Tem, e como! Mas não importa. Quer dizer, é tão perfeitamente desenvolvido, que você não precisa se importar com eles. Eles não te insultam. O que importa é a viagem... E Nolan está com o a faca nos dentes pra te dar uma puta viagem.

Acorde o Tico pra ajudar o Téco e vá ao cinema de braços e mente aberta. Você não vai se arrepender...




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