Disco da Semana; 'A Moon Shaped Pool', Radiohead (2016)




Disco da Semana; 'A Moon Shaped Pool', Radiohead (2016)


Depois de um hiato de cinco anos, desde o ‘diferentão’ King of Limbs, que tinha a mesma pegada de Kid A e Amnesiac e com uma das faixas mais belas da discografia do Radiohead, foi lançado A Moon Shaped Pool, através de uma estratégia de marketing impecável, que conseguiu a atenção que eles precisavam pra jogar no nosso peito mais uma bomba.
Em matéria de densidade, o disco não deve nada a nenhum outro feito pelo Radiohead. Pelo contrário, parece que dentro da mecânica de produção, esta densidade está mais controlada e equilibrada do que nunca, parece que de uma vez por todas a música não está mais engolindo ninguém, mas dada a nós na palma da mão para escolhermos se queremos ou não imergir nela.
A tristeza que ele traz (quase indissociável do Radiohead) é mais calejada e bonita, se parecendo menos com a de um jovem frustrado com o peso do mundo e mais com a de um senhor que anda devagar na rua, em um dia nublado, com um cachimbo na boca.
Burn the Witch abre o álbum, com uma pegada mais pop e dançante. Daydreaming é uma ambientação dos tempos do PolyFauna, belíssimo, encaixaria muito bem em um filme com a pegada do Her, por exemplo.
Tem até uma teoria rolando lá no Reddit de que o clipe dessa música é uma visita de Thom Yorke ao passado da banda, caminhando por cenários que se parecem com capas e clipes de músicas antigas.
Decks Dark e Desert Island Disk matam aquela saudade dos instrumentos, desta vez muito mais maduros. Quando Thom Yorke tocou Desert Island Disk, Numbers e Present Tense em Paris, cinco meses trás, respeitando o ritual da banda, que sempre apresenta algumas músicas de um novo lançamento em show, eu já esperava coisa boa. Mas no álbum ficou muito melhor! O violão é um soco.
Mas o destaque do álbum fica por conta de Identik, outra música dançante, que lembra muito que lembra muito Separator, do álbum King of Limbs, e Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Man Thief, com um coral arregaçando tudo cantando “broken hearts make it rain” (Corações partidos, façam chover), que recorda o coral do finzinho de Demon Days, do Gorillaz.

A impressão final do álbum é um pouco o que a teoria do Reddit propõe: um retorno ao passado, um refazer de tudo o que já foi feito, de forma mais madura, sem a possibilidade (e, às vezes, a glória) de erros. A música final, True Love Waits, também reciclada (o álbum começa e termina com duas regravações), deixa aquele sentimento que todo fim de álbum da banda britânica deixa: o de vazio e impotência. Mas sobretudo a mensagem de que o amor verdadeiro espera, assim como esperamos 5 anos pra experimentar mais um pouco de toda essa música que existe no Radiohead.


Tracklist;

01. 'Burn the Witch'
02. 'Daydreaming'
03. 'Decks Dark'
04. 'Desert Island Disk'
05. 'Ful Stop'
06. 'Glass Eyes'
07. 'Identikit'
08. 'The Numbers
09. 'Present Tense'
10. 'Tinker Tailor Soldier Sailor Rich Man Poor Man Beggar Man Thief'
11. 'True Love Waits'

Mais informações;



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