Discoteca Básica; 'Dusty In Memphis', Dusty Springfield (1969)


Discoteca Básica; 'Dusty In Memphis', Dusty Springfield (1969)


Considerando o que Mary O´Brien cantava na adolescência ela deveria ter se tornado, na melhor das hipóteses, uma Carolyn Hester - cantora folk, que teve seu apogeu na década de 60- da era beat. Mary gostava de folk e quis o destino que, fazendo parte do trio The Springfields, integrasse o primeiro grupo vocal/instrumental inglês a entrar na parada musical americana. 

Em 1963, Mary O´Brien adotou o nome de Dusty Springfield e deslanchou uma carreira solo de sucesso, chegando a ser considerada "a melhor cantora de rock que a Grã-Bretanha já produziu." Mas, verdade seja dita, Dusty Springfield sequer é uma cantora "de rock". Ela tem uma qualidade raríssima entre os cantores brancos: Dusty tem soul. Pega um standard surrado e nocauteia o ouvinte, deixando-o prostrado de emoção. Em três anos, a cantora inundou as paradas com uma corrente de hits, como os clássicos pop "I Only Want To Be With You", "Stay Awhile" e "Wishin´ And Hopin´". Outro sucesso da época foi "You Don´t Have To Say You Love Me", que pôs Pino Donaggio no alto das paradas na Inglaterra (primeiro lugar) e EUA (quarto lugar) em 1966.

Em novembro de 1968, Dusty apareceu espetacularmente com "Son Of A Preacher Man", um single irretocável, imaculado, que se transformou num clássico da soul music. A música era o anúncio do álbum Dusty In Memphis, gravado com os músicos que vinham fazendo o máximo em matéria de música negra, acompanhando luminares como Wilson Pickett. A idéia era emular o som de Aretha Franklin e da Atlantic Records da época tanto que, além do estúdio e dos músicos, foram contratados os produtores responsáveis pelo som de Aretha, o trio Jerry Wexler, Tom Dowd e Arif Mardin.

Dusty não cai na armadilha de fazer toda aquela ginástica no gogó, para não virar um pastiche. Dá a volta, canta suave, põe muito mais sentimento (soul) do que técnica, brincando com o ritmo, atrasando o tempo das canções. As cantoras brancas daquela e de outras épocas têm de engolir esta: quem melhor capturou o sentido, compreender o sentimento e reinterpretar a soul music dos anos 60 foi uma roceira inglesa, cafoníssima, com penteado "bolo de noiva" e quilos de maquiagem nos olhos. 

René Ferri (Revista Bizz, Edição 140, Março de 1997) 

Tracklist:

01. Just a Little Lovin' 00:00
02. So Much Love 02:19
03. Son of a Preacher Man 05:50
04. In the Land of Make Believe 08:19
05. Don't Forget About Me 10:50
06. Breakfest in Bed 13:42
07. Just One Smile 16:38
08. The Windmills of Your Mind 19:21
09. I Don't Want to Hear It Anymore 23:12
10. No Easy Way Down 26:22
11. I Can't Make It Alone 29:33


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