Favoritas da Casa; The Smashing Pumpkins (Chicago, Illinois)

 
Favoritas da Casa; The Smashing Pumpkins (Chicago, Illinois)

Eles não recebem tanta atenção e respeito hoje em dia. Muito, pelo processo de egocentrismos exacerbado do dono da banda, Billy Corgan. Mas durante os anos noventa, eles produziram material que deve figurar em qualquer discoteca básica. E se você for capturado por essa fase (e com um pouquinho de boa vontade), vai acabar gostando de muita coisa produzida durante os anos dois mil.

A banda começou como um projeto mezzo gótico, mezzo psicodélico em 1987. O som combinava elementos de tudo que era out na época. Lançado no mesmo mês que 'Nevermind', do Nirvana, o primeiro álbum, 'Gish', é uma pérola esquecida, muito por causa dessa personalidade que beirava o rock progressivo setentista. Canções como 'Rhinoceros', 'Suffer' e 'I Am One' mantiveram o nome da banda no underground o suficiente para sobreviverem a avalanche Grunge da época e darem a oportunidade de um segunda disco.

Em 1993, quando o Grunge vivia seu ápice, os Pumpkins vieram com 'Siamese Dream', um disco singular e completo. Indie o suficiente, pesado o suficiente e, estranhamente, Pop o suficiente. O som se espalhava e abraçava ainda mais influências acústicas, comoa do Fleetwood Mac (homenageado com a regravação de 'Landslide', utilizada como B-Side), que pode ser sentida em um dos seus maiores hits, 'Disarm'. Porém, o disco é um amontoado de petardos; Da abertura, com 'Cherub Rock', até seu último acorde em 'Luna', passando pelo mega-hit indie 'Today', o disco beira a perfeição. 


Em 95, Corgan resolveu fazer o seu epitáfio. O disco pelo qual gostaria de ser lembrado. E conseguiu; 'Mellon Collie and The Infinite Sadness' é uma monstruosidade de várias personalidades preenchendo vinte e oito faixas, além dos inúmeros extras que foram lançados como lados B dos singles e posteriormente compilados na caixa  'The Aeroplane Flies High', no ano seguinte.

É impossível determinar a abrangência do espectro musical dos Pumpkins nesse disco. Hits aos montes ('Tonight, Tonight', '1979', 'Bullet With Butterfly Wings), socos no estômago ('Fuck You (An Ode To o One)', 'Here Is No Why', 'Tales Of a Scorched Earth'), épicos ('Porcelina Of The Vast Oceans', 'Thru The Eyes Of Ruby') até momentos delicados ('Cupid De Locke', a faixa-título). Em um curto espaço de tempo, a banda produziu três discos essenciais nos anos noventa.

Antes do término da turnê de divulgação, que trouxe a banda pela primeira vez ao Brasil, para o extinto Hollywood Rock, em 1996, o baterista Jimmy Chamberlain deixa a banda por problemas com drogas e Corgan resolve voltar as origens eletrônicas oitentistas para o próximo álbum, o injustiçado 'Adore', lançado em 1998, que interrompeu a sequencia de sucessos que a banda vinha tendo. Porém, o disco é melancolicamente lindo e totalmente diferente do anterior. É como se a personalidade metálica da banda tivesse ficado totalmente de lado e um aspecto mais barroco de composição tivesse entrado e ganhado espaço. Dessa fase, dois hits chamaram a atenção; a densa 'Ava Adore' e a pop 'Perfect'.  A turnê que seguiu contou com o lendário baterista Kenny Aronoff e um percussionista e também veio ao Brasil, ainda em 98. Porém, a decepção foi tamanha que a banda se diluiu após a gira. Diferentemente do disco, os shows eram pesados, confusos e perdidos. A baixista D'arcy Wretzky deixa a banda e eles entram em um curto hiato.


Após dois anos, Chamberlain retorna e traz junto Melissa Auf Der Maur, baixista e vocalista que vinha trabalhando com o Hole (que teve o álbum 'Celebrity Skin' praticamente inteiro escrito em parceria com Corgan) e o que seguiu foram dois álbums, que foram compostos como um álbum duplo temático; 'Machina (The Machines Of God)' e 'Machina II (The Friends and Enemies of Modern Music), que funcionam como outro testamento de Corgan ao seu gosto musical. Os dois discos somam juntos quarenta canções, com muitos destaques, como 'Try, Try, Try', 'The Everlasting Gaze' e 'This Time'. Corgan anuncia o fim da banda e resolve promover uma série de shows de despedida, que culmina com uma apresentação épica no Metro, de Chicago.

Entre o álbum 'Adore' e o retorno da banda em 2006, seus integrantes se lançaram em vários projetos paralelos. Os mais bacanas foram o primeiro álbum solo de James Iha, lançado no final de 1998, que surpreende pela sonoridade alt-country, o trabalho solo de Billy Corgan, que funciona perfeitamente como uma continuação de 'Adore', totalmente eletrônico e climático, e o projeto 'Zwan', liderado por Corgan em parceria com o baterista Jimmy Chamberlain, que trouxe novamente o frescor das principais composições pop da banda. Pra muita gente, é o melhor disco 'não-oficial' dos Pumpkins.


Quanto todos esperavam uma continuidade do Zwan, Corgan deu fim ao projeto e junto de Chamberlain, resolveru reformular a banda e bancar um novo álbum dos Smashing Pumpkins; 'Zeitgeist', lançado em 2007, é um petardo ignorantemente pesado e totalmente ignorado por público e crítica. A banda diminuiu de tamanho e abraçou uma comunidade fiel de fãs, na formação, que inicialmente incluia além de Corgan e Chamberlein, dois 'clones' de D'Arcy e Iha, Jeff Schroder nas guitarras e Ginger Reyes no baixo. Shows de mais de quatro horas e bizarrices cometidas por Corgan, que virou um clone gordo de si mesmo, mas que segue fiel ao que se propôs no início, marcaram esse retorno. Chamberlain acabou saindo novamente da banda em 2009, sendo subsituído pelo menino-prodígio Mike Barnes e a baixista Ginger Reyes abandonou a acrreira par ase dedicar a maternidade e foi substituída por Nicole Fiorentino,que, segundo rumores, é uma das garotas da capa de 'Siamese Dream', de 1993, notícia que nunca foi 100% confirmada ou negada.

Os dois últimos álbuns fazem parte de um único projeto, 'Teargarden by Kaleidoscope', que se iniciou em 2009 com o lançamento e dois EP's, e com 'Oceania' de 2012, levam o trabalho a uma preocupação menor com o mercado e viaja na mistura do Grunge metálico do início da carreira da banda, baladas acústicas e uma cama de Rock Progressivo bem destacada. Várias faixas, como 'A Stitch In Time', 'My Love is Winter', 'Owata', 'Freak', 'Inkless', 'Panopticon' e 'Quasar' não fazem feio com o material antigo. Corgan trouxe a banda ainda mais uma vez ao Brasil, no festival Planeta Terra em 2010, com essa formação. Escolha perfeita, já que o festival é notório por ressuscitar dinossauros dos anos noventa, e fez um show bacana.

Com relação ao futuro, Corgan demitiu o baterias e a baixista e convidou o baterista Tommy Lee, ex-Motley Crüe (?!) para as sessões do próximo álbum da banda, 'A Monument to Elegy', que sairá no final desse ano. Um novo álbum, 'Day and Night', está prometido para o ano que vem e concluirá o projeto iniciado em 2009.

Se hoje são para poucos malucos, o Smashing Pumpkins tem lugar no coração esquizofrênico de todos que viveram os anos noventa.


Playlist;


Mais informações;
www.smashingpumpkinsnexus.com/

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