MÚSICA + CINEMA; 'Control - A História de Ian Curtis' ('Control', 2007)



Música + Cinema; 'Control - A História de Ian Curtis' ('Control', 2007) (Assista online, legendado em português + Playlist da trilha sonora, com duas faixas bônus)

Dirigido por Anton Corbijn

Os últimos anos da vida de Ian Curtis (Sam Riley), vocalista da lendária banda inglesa Joy Division. Curtis, que teve uma trajetória curta e intensa, ficou famoso por seu talento de letrista e por suas performances épicas à frente da banda. Sofrendo com os ataques de epilepsia, sem saber como lidar com o seu talento e dividido entre o amor por sua mulher e filha e um caso extraconjugal, ele se enforcou em 18 de maio de 1980, aos 23 anos.
O cinema adora alguém que possa transformar em mártir. De heróis da história antiga a revolucionários contemporâneos, essas figuras são recorrentes. Melhor ainda se forem artistas, atormentados e morreram jovens. De Sylvia Plath a Kurt Cobain todos já ganharam sua cinebiografia. Por isso é de se estranhar a demora para surgir uma ficção sobre Ian Curtis, líder da banda Joy Division, que se matou aos 23 anos em 1980, pouco antes de embarcar para a sua primeira apresentação nos Estados Unidos.   

O filme é dirigido pelo fotógrafo Anton Corbijn, que chegou a fotografar a banda pouco antes da morte de Curtis. No ano passado, o longa foi premiado na Quinzena dos Realizadores, um evento paralelo no Festival de Cannes.
A ação começa em 1973, quando Curtis (Sam Riley) é um adolescente não muito diferente dos rapazes de sua idade. Morando numa pequena cidade da Inglaterra, ele divide o tempo entre os amigos, a escola, cultuar o roqueiro David Bowie ou citar o poeta Wordsworth - cuja Ode: Intimações de Imortalidade ele sabe de cor.
Nada isso é suficiente para tirá-lo de sua bolha de isolamento - o que acontece apenas quando conhece Deborah (Samantha Morton, de Poucas e Boas), a namorada de um amigo com quem acaba se casando.Curtis tinha problemas emocionais e sua arte é o reflexo claro disso. Suas composições primam pela melancolia e desesperança.
Control tenta investigar a intersecção entre a arte e a vida do personagem, ao mesmo tempo destituindo-o do posto de mito, ao procurar retratá-lo pelo lado humano.
Esse tipo de tratamento pode facilmente transformar a figura de um personagem no mártir - às vezes de uma geração inteira. Em seu favor, o diretor Corbijn e o roteirista Matt Greenhalgh desviam-se das armadilhas tão comuns nas cinebiografias.
Eles parecem compreender que a década de 1970 foi tomada pela melancolia depois do final dos anos de 1960, quando o mundo era mais colorido e alegre - e que essa depressão não era exclusividade de Curtis.
Nesse sentido, as músicas do Joy Division e a fotografia num preto e branco nos tons comuns aos filmes da Nouvelle Vague são importantes para transmitir toda a sensação de claustrofobia e tristeza daquela época. A arte e a morte de Curtis em Control não são vistas como causa e efeito.
O roteiro é baseado num livro de memórias da mulher de Curtis, lançado na década de 1990, e equilibra informações sobre a vida profissional dele, como músico, e a pessoal, como marido e pai. Deborah tem o pé no chão e o pragmatismo que faltavam ao seu marido.
Depois de casado, ele ainda se envolve com uma fã, a belga Annik (Alexandra Maria Lara), e esse amor o destrói, novamente. No filme, uma das músicas mais famosas da banda, Love Will Tear Us Apart, serve de trilha para a cena em que Deborah descobre a infidelidade do marido.
Em outro momento, Curtis compõe She's Lost Control, e é quando sua mulher já está totalmente descontrolada.
As músicas do Joy Division apresentadas em Control são tocadas pela banda que está em cena - e o próprio Riley faz os vocais. As regravações são competentes e a presença de palco do ator é um daqueles casos em que se recria muito bem o personagem real.

Talvez o que haja de mais sedutor em Control seja este retrato de um período. Assim, citações explodem na tela, como as referências culturais de Curtis, caso do cantor e compositor Lou Reed e do escritor J. G. Ballard (cujo livro The Atrocity Exhibition empresta o título a uma música do Joy Division).
O Trailer:



Curiosidades; O roteiro do filme foi escrito em forma de flashback. Posteriormente, o diretor alterou a ordem, pois acreditava que a história de Ian seria mais emocionante cronologicamente. Aliás, Anton Corbijn é fotógrafo famoso no meio da música, principalmente, pelo seu trabalho longevo com Depeche Mode e U2.


Mais informações;

pt.wikipedia.org/wiki/Control_(filme_de_2007)



A Trilha;

Por motivos de direitos autorais do 8tracks, não consegui colocar três músicas do Joy Division da trilha (Dead Souls, Transmission e Atmosphere), então, substitui por versões.

Tracklist;



  1. Exit - New Order
  2. What Goes On - The Velvet Underground
  3. Shadowplay (Joy Division cover) - The Killers
  4. Boredom (Live) - The Buzzcocks
  5. Dead Souls - Nine Inch Nails
  6. She Was Naked - Supersister
  7. Sister Midnight - Iggy Pop
  8. Love Will Tear Us Apart - Joy Division
  9. Problems (Live) - Sex Pistols
  10. Hypnosis - New Order
  11. Drive In Saturday - David Bowie
  12. Evidently Chickentown - John Cooper Clarke
  13. 2H.B. - Roxy Music
  14. Transmission - Hot Chip
  15. Autobahn - Kraftwerk
  16. Atmosphere - Peter Murphy & Trent Reznor
  17. Warszawa - David Bowie
  18. Get Out - New Order
  19. Ceremony - Radiohead (Live From The Basement Sessions) (Bonus Track)
  20. Love Will Tear Us Apart - The Cure (Bonus Track)



This entry was posted on 8 de nov de 2016 and is filed under . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. You can leave a response.

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