Eu vi... Tributo a Legião Urbana com Wágner Moura (São Paulo, 30/05/2012)



Eu vi... Tributo a Legião Urbana com Wágner Moura (São Paulo, 30/05/2012)


Legião Urbana... Legião Urbana... Wágner Moura... Legião Urbana... Renato Russo... Blá, Blá, Blá...

Assisti a reprise da primeira apresentação de duas (esgotadas) perfomances no capenga Espaço das Américas em São Paulo já com dois pés atrás,  e o que resta são piadas prontas e dúvida.

Foi constrangedor? Foi. 

Foi bacana ver tanta gente se divertindo? Foi, também.

Ouvir as canções da Legião depois de tantos anos também foi legal? Sim, claro... Desde que elas realmente tivessem sido cantadas.

Fico na dúvida se Wágner Moura teve culhões ou falta de senso, mas de uma coisa eu não tenho dúvida; Foi um erro mexer na obra da banda de maneira tão simplória.

Os  dois remanescentes do espólio legionário, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, não conseguiram emplacar desde a morte de Russo em 96 e vivem da eterna aura cult que a banda ganhou, mesmo depois de tanta popularidade, que no Brasil é praticamente um atestado de ruindeza. Não há muito material obscuro há ser lançado, então, praticamente uma geração inteira pouco ouviu a banda, e isso já deve estar doendo no bolso dos caras.

Nunca separe desejo artístico de necessidade financeira em um artista. Depois destes meus anos todos acompanhado música Pop, é muito leviano falar que artista faz as coisas por arte. Tem muito ego inflado, muita carteira enchendo e muito saco sendo puxado. 

Mas como fazer um show-tributo sem parecer óbvio demais, chamando figurinhas praticamente óbvias como Dinho Ouro-Preto e Rogério Flausino, seguidores assumidos de Renato, agradar os fãs (o que não seria muito difícil) e ainda dar um cunho 'artístico' na bagaça toda? Bem, por mais amador que possa ter parecido, a idéia da MTV veio quando eles assistiram ao "Prenda-me se for Capaz' brasileiro, "Vips", com o novo darling da mídia, Wágner Moura.

Vejam bem, gosto do cara, mas a minha paciência com ele já está indo pro saco. Ele ganhou a galera 'descolada' com alguns trabalhos bacanas em teatro e cinema e hoje vende essa imagem alternativa pra vender produtos como planos de telefones celulares e carrões. Passa a imagem de que também é legal ser consumista. A idéia era perfeita. E pra completar, chamaram o grande Felipe Hirsch, da Sutíl Cia. de Teatro pra dar um toque (de mídas, é verdade) no cenário, que ficou realmente muito bonito. Compraram um carimbo de legitimidade. E com isso, compraram o público também, inclusive os ditos descolados.

Gosto de Legião. Ouvi muito quando era adolescente. Não segui a banda, porém. Excesso de popularidade sempre me dá um certo bode. Você acaba tendo que conversar sobre uma banda com alguém vestindo um abadá do carnaval anterior e eu já tenho que aguentar isso com o U2, então, meio que fiquei distante. Confesso que ter assistido o show me fez relembrar o quanto gostava de "Índios" e "Tempo Perdido". Lembrei que ouvia "Angra dos Reis" umas cinco vezes por dia quando tinha uns 13 anos. E se teve esse efeito em mim, imagina na molecada. São mais dez anos dando dinheiro pros caras.

Wágner Moura não é cantor, apesar de ter uma bandinha de garagem e tal, o que deixou tudo com cara de karaokê de firma no final de ano. Os dois legionários remanescentes também nunca forma um primor em seus instrumentos. E ai que a a porca torce o rabo; A Legião era Renato Russo. E sem ele, tudo fica com cara de cover de boteco.

Agora que vem a pergunta; E o que foi a reação do público? Praticamente em comunhão de igreja com os caras no palco? Pra isso, pequeno gafanhoto, só tenho uma explicação; A necessidade de comunhão em tempos de tanta solidão de computador. Por mais que você ame uma banda e saiba tudo sobre ela, parece que as coisas só fazem sentido quando podemos mostrar á todos o quanto gostamos daquilo. E fã de Legião deve estar cansado de tanto luau por aí ao som de "Eduarde e Mônica".

Mesmo não tendo sido fã, acho que a única pessoa que poderia ter dado alguma credibilidade a esse show teria sido Cássia Eller, de quem Renato era fã confesso. No mais, seria, como foi, fraco.

Eu não gostaria de que fizessem isso com as bandas da qual sou fã se ou vocalista morrer. Odiaria ver o U2 sem Bono, ou o Radiohead sem Thom Yorke. Acho uma injúria o que fazem com a memória do Queen e do Doors. Mas enfim... Tudo é show business. Se conseguiram transformar a maior banda indie do Brasil em produto, eu acredito em qualquer coisa...

Viva a esperteza!


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