Música + Cinema; 'O Livro da Vida', de Hal Hartley (1998)



Música + Cinema; 'O Livro da Vida', de Hal Hartley (1998)

O diretor Hal hartley faz aqui, na sua contribuição para o projeto “2000 visto por...”, que também gerou “Primeiro dia” de Walter Salles, uma dos melhores filmes sobre a passagem do milênio e suas (in)certezas. 

Explico; No último dia do ano, Jesus e Madalena (Martin Donavan e P.j. Harvey, sim, ela mesmo) voltam a terra para efetuar o juízo final. Em crise de consciência ‘humana’, Jesus desafia a autoridade divina e simplesmente, não inicia o apocalipse bíblico, base de toda a crença cristã e, então, a única razão para ela existir, enfim. 

O tom, sempre, é muito engraçado. Apesar dos questionamentos existências, votos de confiança na humanidade e um demônio nem tão ruim assim (Thomas Jay Ryan), a intenção é, definitivamente, não se levar a sério.

No amontoado de referências pós-modernas, algumas curiosamente amedrontadoras, como Jesus terminando sua saga em frente as torres gêmeas, temos Willian Burroughs narrando o apocalipse no rádio enquanto um humano barganha a alma pura de sua namorada budista (!) com o demônio por algum dinheiro, Pj harvey, perdida em Nova York, entrando em uma loja de discos enquanto uma música sua (mais exatamente “Long time coming”) toca de fundo. Logo após, ela inicia uma interpretação bêbada de “To sir with love”, ouvindo-a num fone de ouvido. Conexão realmente bem bolada.

Nessa mistura, que foi filmada com enquadramentos desconexos e muita mudança de cores, que às vezes saia rapidamente do preto e branco para um vermelho berrante, ainda temos a agência do ‘advogado de Deus’ (com a ideia mais hilária, foi batizada de “Armaggedon, Armageddon & Josafá), que tenta ao final trocar de lado e ajudar as almas perdidas que agora estão na mão do ‘mal’ devido a uma última e extrema aposta de Jesus, que troca o livro da vida do título, que guarda os nomes das almas que serão salvas do apocalipse, pela alma da pobre japonesinha budista.

Uma obra interessantíssima, que, sem nenhuma pretensão filosófica, consegue com muito bom humor, traçar um parâmetro entre nossa realidade e a que pregamos. Além das referencias, citações e curiosidades (perguntem-me se não aluguei por causa de P.j.), conseguir se divertir com o fim dos tempos não é pra qualquer um...



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