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Mostrando postagens de Agosto, 2015

Discoteca Básica; 'Pieces of a Man', Gil Scott-Heron (1971)

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Discoteca Básica; 'Pieces of a Man', Gil Scott-Heron (1971)

"Sou um negro dedicado à expressão: expressão do prazer e de orgulho da negritude. Não me considero poeta, compositor ou músico. São meras ferramentas usadas por caras sensíveis para esculpir uma peça bela e verdadeira, que eles esperam conduzir à paz e à salvação".

Assim Gil Scott-Heron se apresentava em "Small Talk At 125th And Lenox" (70), seu álbum de estréia. Nada mal para um jovem escritor que aos 19 anos lançou o conto "The Vulture" ("O Abutre"), seguindo por uma coleção de poemas (com o título que daria ao disco) e outro livro, "The Nigger Factory" (algo como "A Fábrica de Crioulos"). Os temas? Combate ao racísmo e críticas ferinas ao consumismo, ao poder das mídias e às aspirações medíocres da classe média americana. Só isso faria dele um precursor do rap, mesmo a não se levar em conta que foi o pioneiro nesse estilo de canto "falado".

Nasci…

Bixiga 70 (São Paulo, Brasil)

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Bixiga 70 (São Paulo, Brasil)

Som leve e dançante. Pronto. Essa é a melhor definição do Bixiga 70, que vem desde sem homônimo álbum de estreia, em idos de 2011, buscando um som cada vez mais acessível e, ao mesmo tempo, sofisticado. 
A banda é formada por Décio 7 (bateria), Marcelo Dworecki (baixo), Cris Scabello (guitarra), Mauricio Fleury (teclado e guitarra), Rômulo Nardes e Gustávo Cék (percussão), Cuca Ferreira (sax barítono), Daniel Nogueira (sax tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete).
Um dos principais destaques é a utilização de ritmos nacionais, mesmo que palatinalmente. Não é rock. Não é brasileiro. Não é do mundo. É algo divertido e multicultural. E vale cada minuto. E cada passo de dança dado.

A banda está lançando 'Bixiga 70 III', com download gratuito no site, onde você também encontra os outros álbuns. Confira;




Mais informações;

http://www.bixiga70.com.br/

Discoteca Básica, 'Talking Book', Stevie Wonder (1972)

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Discoteca Básica, 'Talking Book', Stevie Wonder (1972)
Há uma piada dos irmãos Marx que define bem a situação de Stevie Wonder na gravadora Motown. Em Uma Noite Em Casablanca, Groucho Marx encama um diretor de hotel que decide trocar os números dos quartos dos hóspedes. Quando um deles reclama que aquilo seria "uma loucura", Groucho replica: "Mas também seria uma diversão dos diabos!"
A maior "loucura" de Stevie Wonder chamou-se Talking Book e cristalizou a independência do cantor em relação aos padrões rígidos da Motown. Até então, na gravadora americana,as músicas deveriam ter três minutos –no máximo-e abordar nas letras temas como o amor e futilidades. Wonder queria ter controle total de suas produções e ainda a liberdade para fazer as músicas que quisesse,com a duração que bem entendesse.

Com o passar dos anos,essa exigência ficou cada vez mais cara para os cofres da gravadora e ainda menos rentável com a perda de prestígio de Wonder. Mas pelo m…

Autobahn (Leeds, Inglaterra)

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Autobahn (Leeds, Inglaterra)
O nome dá uma dica, mas não entrega o jogo; O quinteto de Leeds formado por Craig Johnson (vocais), Gavin Cobb (guitarrra), Michael Pedel (guitarra), Daniel Sleight (baixo), Liam Hilton (bateria) tem sim influências do krautrock alemão dos anos setenta. Porém, é muito mais fácil identificá-los em  bandas que também foram influenciadas pelo estilo, principalmente no início dos anos oitenta, como Sisters of Mercy, Mission, Bauhaus e, claro, Joy Division.
A banda acabou de lançar seu primeiro álbum, 'Dissemble', pela Tough Love Records e seguem em turnê pelo Reino Unido.
Confira a faixa 'Impressionis'.


Mais informações;

https://www.facebook.com/autobahnmusik
http://www.autobahnmusik.co.uk/
https://twitter.com/autobahnmusik https://soundcloud.com/tough-love/autobahn-seizure-1

Discoteca Básica; 'Secos & Molhados', Secos & Molhados (1977)

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Discoteca Básica; 'Secos & Molhados', Secos & Molhados (1977)
Em plena era repressiva brasileira, nos governos de Médici e Geisel, foi que surgiram aqueles pavões maquiados rebolando e cantando: "Vira homem, vira, vira lobisomem ... ".

Escândalo total! "Bichas" para alguns, "revolucionários" para outros, viraram um dos mais importantes grupos do rock nacional e a maior manifestação glitter do país. E por trás das suas máscaras existia uma singela fusão de MPB, folk, poesia reflexiva e androginia.

Tudo começou em 71: o jornalista e poeta português João Ricardo convidou o músico Gerson Conrad e o hippie e cantor de coral Ney De Souza Pereira para um projeto que queria unir o rock à MPB.A presença cênica exótica e sensual de Ney-que adotou o sobrenome mato grosso, devido ao seu estado de origem-chamou a atenção e o trio foi contratado pelo selo Continental, lançando o primeiro disco em 73. Ali, contaram com uma ótima banda de apoio que incluía …

Disco da Semana; 'Born In the Echoes', The Chemical Brothers (2015)

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Disco da Semana; 'Born In the Echoes', The Chemical Brothers (2015)

É admirável que mesmo 20 anos após o lançamento de Exit Planet Dust (1995), primeiro álbum de estúdio do duo The Chemical Brothers, Tom Rowlands e o parceiro Ed Simons ainda sejam capazes de manter a mesma proposta que apresentou o projeto: fazer o público dançar. Oitavo disco de inéditas da dupla original de Manchester, Inglaterra, Born in the Echoes (2015, Virgin / EMI), não apenas preserva a essência dançante das antigas composições, como expande ainda mais a fluidez enérgica das melodias e batidas.

Com 52 minutos de batidas firmes e bases psicodélicas, Born In The Echoes é uma obra que prende o ouvinte sem dificuldades. Do momento em que tem início Sometimes I Feel So Deserted, hipnótica faixa de abertura, Rowlands e Simons criam um verdadeiro cercado de temas e arranjos sedutores, prendendo o espectador com naturalidade até a derradeira e “compacta” Wide Open. A mesma coerência ressaltada no antecessor Furt…

Sea Moya (Berlim, Alemanha)

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Sea Moya (Berlim, Alemanha)
Elias Foerster (Vocais, guitarras e sintetizadores), Iven Niklas Jansen (baixo e sintetizadores), David Schnitzler (bateria) fazem um som que consegue combinar, ao mesmo tempo, ritmo dançante e ambientação experimental vinda diretamente do krautrock germânico dos anos setenta. 

Espacial e monocórdico. Sim, lembra Can (banda alemã seminal do estilo), mas também vai agradar hipsters de plantão.


Confira a página da banda no Soundcloud.


Mais informações;

https://seamoya.bandcamp.com/
https://www.facebook.com/seamoyaband?_rdr

Discoteca Básica; 'Band on the Run', Paul McCartney & The Wings (1973)

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Discoteca Básica; 'Band on the Run', Paul McCartney & The Wings (1973)

Em 1973, Paul McCartney estava numa encruzilhada. Acusado de ser o "homem que acabou com os Beatles" e "traidor da contracultura", ele via sua carreira solo como algo que ainda não havia decolado propriamente -a despeito de hits como "Live And Let Die" e "My Love". Decidido a acabar com a maré de azar, Macca pegou sua mulher Linda e o guitarrista Denny Laine e foi para Lagos, na Nigéria (coração da África). Band On The Run, o disco que resultou dessas sessões de gravação, foi aclamado como o melhor trabalho de Paul e os críticos viram nele uma continuação do "segmento sinfônico" que permeou boa parte do lado B de Abbey Road (69), o penúltimo trabalho dos Beatles.

Como Henry McCullogh e Denny Seiwell, outros integrantes do Wings, recusaram-se a viajar, Paul teve de tocar a maioria dos  instrumentos sozinho. Paul não planejou um álbum conceitual, mas as mel…

Discoteca Básica; 'John Lennon / Plastic Ono Band', John Lennon / Plastic Ono Band (1970)

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Discoteca Básica; 'John Lennon / Plastic Ono Band', John Lennon / Plastic Ono Band (1970)

Em 70, John Lennon estava sofrendo de um acúmulo de tudo ao mesmo tempo, agora.


Com os Beatles reduzidos a ruínas após anos musicalmente brilhantes, mas que deixaram os quatro ex-integrantes da banda marcados por um desgaste físico, psicológico e artístico de proporções inéditas no rock, Lennon via-se num momento de transição, no qual suas convicções pessoais, prioridades profissionais e emoções foram radicalmente reavaliadas.

Recém-saído de sessões de terapia primal em Los Angeles com o doutor Arthur Janov,que pregava a libertação emocional através da exteriorização de sentimentos reprimidos desde a infância,John era um nervo exposto armado de uma metralhadora giratória apontada para tudo que ele havia construído até então – seu trabalho,sua obra musical,suas alianças pessoais – e para aquilo que,no seu entender,aprisionava-o:a idolatria,as drogas,a política e,sobretudo,os Beatles.

Com a c…