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Mostrando postagens de Outubro, 2014

Mitski (Brooklyn, Nova Iorque)

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Mitski (Brooklyn, Nova Iorque)
A estreante Mitski Miyawaki acaba de lançar seu álbum "Bury Me At Make Out Creek ', que divaga sobre as brutalidades enlouquecedora do amor e as formas mais distantes da loucura que nos empurra em todas as direções. "Uma palavra sua e eu pularia fora dos limites', ela se compromete sobre teclados melancólicos de 'First Love/Spring Late'. Depois, suspira que "um amor que cai tão rápido quanto um corpo"sobre guitarras noise-pop em 'Townie'. Os ecos difusos em "Myra Lee" podem lembrar Cat Power. O álbum é um registro que não puxa seu coração tanto quanto impiedosamente o martela.
'I Will' é um dos momentos mais doces do álbum: Mitski pleiteando um amante sobre uma linha de baixo envolta de teclados. Seguem 'First Love/Spring Late', em vídeo ao vivo e o player da faixa 'I Will' no Soudcloud. Amantes de Cat Power, com uma pitadinha de Joy Division, PJ Harvey e Velvet Underground, você…

Discoteca Básica; 'The 25th Anniversary Album', Eddie Cochran (1985)

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Discoteca Básica; 'The 25th Anniversary Album', Eddie Cochran (1985)
Um acidente de automóvel fixou a idade com que Eddie Cochran seria lembrado: 21 anos. Sempre jovem, com topete de brilhantina e guitarra em punho - o rocker clássico! Sua rebeldia começou aos 16 anos, quando abandonou a escola e caiu na estrada do rock'n'roll (com Hank Cochran, que não era seu parente, apesar do duo se chamar The Cochran Brothers). Aos 17 anos descobriu Elvis Presley (então em começo de carreira) e o rockabilly. Atropelou-se rumo a Memphis, tentou gravar na legendária Sun Records... Mas só conseguiu sua primeira sessão solo um ano depois (setembro de 1956) no pequeno selo Crest. O resto da lenda está registrada em vinil...
Como a maioria dos desbravadores, a carreira de Eddie Cochran é melhor abastecida de compactos do que de LPs originais. Não faltam, contudo, compilações. O presente álbum (duplo), além de trazer as faixas fundamentais, inclui takes alternativos, versões inéditas e dua…

Gengahr (Londres, Inglaterra)

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Gengahr (Londres, Inglaterra)
Quanto tempo faz desde que nós tivemos um novo guitarrista realmente emocionante pela frente? 
Como qualquer um que já tenha visto Gengahr irá atestar, o guitarrista John Victor é algo de especial em seu instrumento. Eles apareceram seis meses atrás, com 'Fill My Gums With Blood', uma sanguinolenta faixa que poe medo nos fãs de Alt-J - Mas são só quatro moleques com língua afiada. Um ótimo primeiro single. E agora temos 'Powder', que é ainda melhor. A canção empurra a guitarra de Victor para a frente, o que a torna irremediavelmente urgente.
Confira o vídeo.

Mais informações;
https://www.facebook.com/gengahrband

Discoteca Básica; 'Greatest Hits', Al Green (1975)

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Discoteca Básica; 'Greatest Hits', Al Green (1975)

A cidade de Memphis, no Tennessee, é um ponto crucial na história do blues, rock'n'roll e, posteriormente, do soul. Desde a chegada de bluesmen como B.B.King e Howlin Wolf no final dos anos 40, passando pela lendária gravadora Sun - fundada em 52 pelo DJ Sam Phillips, na qual se revelaram Elvis Presley, Carl Perkins e Jerry Lee Lewis - até o conglomerado Stax/Volt, panteão sagrado do soul nos anos 60 (Booker T. And The MG's, Otis Redding, Sam And Dave, Wilson Pickett etc.), a cena local sempre foi de uma riqueza impressionante. Esta tradição continuaria durante a década de 70 com a gravadora Hi, criada em 56 pelo empresário Joe Cuoghi, no rastro do sucesso da Sun. De início dedicada apenas a números instrumentais a companhia firmou-se realmente na primeira metade dos anos 60, com os primeiros hits. Mas a ascensão definitiva da Hi viria com a integração do trompetista Willie Mitchell ao seu cast. Figura-chave no álbu…

Discoteca Básica; 'King of the Delta Blues Singers ',Robert Johnson (1998)

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Discoteca Básica; 'King of the Delta Blues Singers ',Robert Johnson  (1998) 

No quarto de um hotel de segunda, em San Antonio, Texas, o garoto negro, alto, magro e elegante senta-se voltado para a parede, um enorme microfone à sua frente, o violão de aço National-Steel sobre o joelho. Um fio corre pelo chão de madeira até o outro quartinho, onde, concentrados, atentos, maravilhados, dois homens brancos de meia-idade manipulam pesados gravadores de rolo. Faz frio, uma fria noite de novembro de 1936. 


Olhos fechados, o garoto toca - alguém na sala de controle comenta que não é possível: deve haver mais alguém com ele no quarto. Como é que estamos ouvindo acompanhamento e solo ao mesmo tempo? Mais que isso - que tristeza, que tristeza infinita, que doçura angustiada nessas cordas. O garoto canta, uma voz aguda e ligeiramente fanhosa, e a primeira impressão é de transe, trânsito, fuga, como capturar o vento. Depois, abre-se um universo escuro, um poço das mais absolutas paixões - ca…